Mensagem do Embaixador
Newsletter nº2/2021

Caros leitores,

Em maio de 2020, a Embaixada do Brasil em Londres e a Apex-Brasil lançaram o primeiro número desta newsletter, a Conexão Londres/Brazil Brexit Watch.

Àquela altura, ainda não estavam claros os contornos do relacionamento do Reino Unido com a União Europeia (UE) após o Brexit – então previsto para efetivar-se, como de fato se efetivou, no seguinte dia 31 de dezembro. Na Embaixada em Londres, atentos para a necessidade de mapear, em benefício do setor privado brasileiro, as oportunidades e os desafios do Brexit, já havíamos posto no ar, em 2019, a plataforma digital Brazil Brexit Watch. É plataforma que até hoje continuamos a atualizar, com informações e análises úteis para quem já exporta ou quer exportar para o Reino Unido. Mas sentimos que se justificava ir além, no esforço de fazer chegar ainda mais daquelas informações e análises a nosso público no Brasil. Daí o projeto da newsletter Conexão Londres/Brazil Brexit Watch, que conta, desde a origem, com a valiosa parceria da Apex-Brasil.

Hospedada em nossa plataforma digital, a newsletter teria, a princípio, quatro números, de periodicidade trimestral. Seria um ciclo que nos permitiria cobrir aspectos das negociações que o Reino Unido levava adiante com a UE e, do mesmo modo, com outros parceiros, aqueles que já mantinham ALCs com o bloco europeu – parceiros com os quais negociava os chamados “acordos de continuidade” (“roll-over agreements”). Assim foi, e o quarto número, publicado em março de 2021, já pôde trazer, sempre sob medida para nosso setor privado, elementos consolidados sobre o acordo Londres-Bruxelas e uma gama de acordos de continuidade.

O retorno positivo que recebemos de nossos leitores estimulou-nos a dar seguimento à newsletter, que, decidimos, terá mais quatro números, novamente de periodicidade trimestral. A página do Brexit, em si, foi virada. Trata-se, agora, de prosseguir de mãos dadas com o setor privado brasileiro no permanente exercício de compreender as oportunidades que, uma vez tendo o Reino Unido readquirido sua autonomia de política comercial, se abrem para o intercâmbio de bens e serviços com o Brasil. É nesse espírito que temos a satisfação de trazer à luz este quinto número da Conexão Londres/Brazil Brexit Watch.

Nesta nova temporada, a newsletter teve sua estrutura levemente ajustada e conta com as seguintes seções: Londres-Mundo, com a última palavra em matéria de políticas britânicas – domésticas e de comércio exterior – relevantes para o exportador brasileiro; Fique de Olho, com mais reflexão sobre nichos em que há especial espaço para as exportações do Brasil destinadas ao mercado britânico; e Opinião, com artigos de especialistas sobre o intercâmbio econômico bilateral.

No presente número, a seção Londres-Mundo busca explicar as grandes linhas da estratégia com que o Reino Unido deverá desembarcar da Política Agrícola Comum, a que estava ligado como membro da UE. A seção Fique de Olho explora o setor de bebidas. Finalmente, a seção Opinião reproduz artigo em que Vera Thorstensen e Victor Santos Vieira, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, fazem análise preliminar, via modelagem econômica, do impacto de um ALC que envolva o Brasil e o Reino Unido.

O Brasil e o Reino Unido compartilhamos o valor maior da democracia. Somos sociedades  abertas que acreditamos no livre comércio. Estamos entre as maiores economias do mundo. E, como outros países, aprendemos, com a pandemia, que a resiliência das cadeias de produção é um imperativo – imperativo que passa pela diversificação das fontes de suprimento.

É amplo o horizonte de possibilidades que se coloca diante de nós. Penso, por exemplo, no Reino Unido como importador líquido de alimentos e bebidas – de que os brasileiros são fornecedores sustentáveis e seguros. Penso no Brasil como país que, em processo de modernização de sua economia, importa e importará cada vez mais insumos de ponta e serviços, financeiros, profissionais e outros – setores em que o Reino Unido se destaca em escala global. E penso, por que não, no tanto que o Brasil pode também importar em termos de alimentos e bebidas de alta qualidade de um país como o Reino Unido, e nos serviços e outros bens intensivos em tecnologia que igualmente o Reino Unido pode trazer do Brasil.

Tenho a convicção de que a nossa é uma relação que só tem a ganhar com mais comércio, e a saída do Reino Unido da UE abre, para além da retórica diplomática, extraordinárias oportunidades para ambos os lados. Tenho a convicção de que, se é expressivo, o comércio entre o Brasil e o Reino Unido ainda pode crescer mais, em proveito dos setores privados e dos consumidores de cada um dos dois países.

É essa convicção, respaldada pelo interesse que nossa newsletter já vem despertando entre os agentes econômicos brasileiros, que nos faz, dia após dia, trabalhar por que a parceria econômica Brasil-Reino Unido cumpra seu potencial. É essa convicção que anima mais esta temporada de nossa Conexão-Londres/Brazil Brexit Watch.

Boa leitura a todos.

 

Fred Arruda

Embaixador do Brasil no Reino Unido