Mensagem do Embaixador
Newsletter nº1/2020

Caros leitores,

 

Sejam bem-vindos à Newsletter do Brazil Brexit Watch.

Temos acompanhado de perto, aqui em Londres, o processo de saída do Reino Unido da União Europeia – o chamado Brexit. Diante de um acontecimento de tamanha importância, é natural que surjam perguntas. É natural, em particular, que perguntas específicas ocorram a nossos produtores e exportadores. Quais as consequências do Brexit para o comércio exterior do Reino Unido? Como é afetada a relação econômico-comercial do Brasil com o Reino Unido? No fim das contas, o setor privado brasileiro ganha ou perde?

É para ajudar a responder a perguntas como essas que lançamos o Brazil Brexit Watch, em colaboração com a Apex-Brasil.

O Brazil Brexit Watch já tem, desde 2019, uma plataforma na Internet (www.investexportbrasil.gov.br/brexit-brazil-brexit-watch). É espaço que, em permanente atualização, reúne informações sobre o Brexit organizadas sob medida para o exportador brasileiro.

Agora, estamos oferecendo a quem já usa a plataforma, e a quem mais tenha interesse, esta Newsletter do Brazil Brexit Watch, cujo primeiro número temos a satisfação de lhe fazer chegar por este e-mail. Trata-se de mais uma iniciativa da Embaixada em Londres voltada para os brasileiros que produzem e exportam. Sabemos que esse é um público que precisa estar sempre em dia com a evolução do Brexit, que poderá trazer desafios e oportunidades para nosso País.

Temos trabalhado para apoiar os atores relevantes no Brasil, no Governo e na sociedade em geral, em seu esforço de preparar-se para o Brexit.

Num primeiro momento, quando Londres e Bruxelas ainda começavam a negociar os termos de sua separação, estivemos envolvidos em análise da ampla rede de tratados internacionais que ampara os relacionamentos Brasil-Reino Unido e Brasil-União Europeia. Desempenhada em coordenação estreita com o governo britânico, a tarefa era complexa, mas tinha um objetivo simples: verificar se, com o Brexit, se produziria, naquela rede de tratados, alguma lacuna jurídica que pudesse perturbar atividades cotidianas como transporte aéreo, cooperação jurídica, intercâmbio científico e tecnológico, entre tantas outras. Felizmente, a conclusão foi que, se há alguns tratados que merecem aprimoramento, não há motivo para preocupação imediata. 

Em seguida, nossas energias passaram a concentrar-se nas questões econômico-comerciais. Desse ponto de vista, a história do Brexit e seu significado são vistos em maior detalhe na plataforma do Brazil Brexit Watch, e diversos aspectos serão retomados nesta Newsletter. Ainda assim, faço breve recapitulação, para benefício do produtor e do exportador que chegam agora a esta conversa.

Em 31 de janeiro de 2020 – mais de três anos após o referendo popular que decidiu pelo Brexit –, entrou em vigor o Acordo de Retirada, instrumento celebrado entre o Reino Unido e a UE que formaliza o desligamento britânico. O Acordo de Retirada prevê que as normas europeias relativas ao comércio exterior (tarifas, quotas, regras sanitárias etc.) serão aplicáveis ao Reino Unido até 31 de dezembro próximo – prazo que, em tese, poderá ser prorrogado.

Durante esse período de transição, o governo britânico está empenhado em três grandes frentes: negociar seu relacionamento futuro com a União Europeia,inclusive na vertente comercial; começar a negociar acordos comerciais próprios com outros parceiros ao redor do mundo; e definir o regime tarifário aplicável ao comércio com todos os demais países e blocos – regime batizado de “UK Global Tariff”.

É uma dinâmica de reposicionamento comercial de longo alcance. E há boas razões para que o setor privado brasileiro fique atento a ela. 

O Reino Unido é um país altamente integrado aos fluxos internacionais de bens e serviços. O comércio exterior representa dois terços do PIB britânico – cerca de US$ 1,3 trilhão de dólares, segundo dados de 2019. Metade desse volume corresponde atualmente a trocas com a União Europeia.

Quanto ao Brasil, embora sejamos o maior parceiro dos britânicos na América Latina, com intercâmbio que somou US$5,3 bilhões em 2019, nosso comércio com o Reino Unido ainda está claramente abaixo do potencial de duas das maiores economias do mundo. Há espaço para mais, em distintos segmentos. O agropecuário é certamente um desses segmentos – basta lembrar que o Reino Unido importa metade do que consome em termos de alimentos e bebidas.

Assim, o Brexit abre ampla avenida para intensificarmos a relação econômico-comercial do Brasil com o Reino Unido. Se novas tarifas, regras e interlocutores representam desafios para exportadores, o momento de redefinição de parcerias pode gerar também oportunidades.

Esta é a hora de redobrar esforços para explorar novos caminhos, novos contatos, novos clientes. É a hora de, mais do que nunca, mostrar no mercado britânico que o produtor brasileiro é eficiente, competitivo e sustentável.

Com a plataforma e, agora, com a Newsletter do Brazil Brexit Watch, queremos continuar ajudando nosso setor privado a navegar as oportunidades (e os desafios) desse processo.

Planeja-se que esta Newsletter tenha quatro números, em formato digital, a serem publicados trimestralmente. Está estruturada em quatro seções.

Na seção Londres-Bruxelas, atualizaremos os leitores sobre o andamento das negociações entre o Reino Unido e a União Europeia. Neste número 1, o foco está em como as regras de origem desse acordo podem impactar as exportações brasileiras.

Na seção Londres-Mundo, cobriremos as tratativas do Reino Unido com outros países. Fazemos, desta vez, um balanço dos acordos já firmados até aqui com terceiros mercados e as principais frentes negociadoras estabelecidas pelo governo britânico.

Na seção Fique de Olho, chamaremos atenção para setores e produtos específicos que possam ser positiva ou negativamente afetados pelo Brexit. Neste número, nosso olho se volta para as oportunidades no setor de frutas frescas.

Por fim, a seção Opinião trará textos de especialistas sobre os impactos do Brexit para o setor privado brasileiro. Inaugura a seção nosso Adido Agrícola na Embaixada em Londres, Augusto Billi.

Seguimos abertos a tirar dúvidas e a receber comentários por meio da plataforma do Brazil Brexit Watch. Boa leitura!

 

Fred Arruda

Embaixador do Brasil no Reino Unido