Fique de Olho
Newsletter nº2/2021

Oportunidades para o setor de bebidas no Reino Unido

Bruno Capuzzi, Analista de Acesso a Mercado - Apex-Brasil Europe

Patrícia Steffen, Analista de Acesso a Mercado – Apex-Brasil

 

Panorama do Mercado de bebidas

O mercado de bebidas do Reino Unido representa uma indústria de US$ 71 bilhões[1], e as importações do país somaram US$ 7,9 bilhões[2] em 2020, com crescimento médio anual de 3,89% (2016 a 2020). As exportações brasileiras para esse país estão concentradas em bebidas não alcóolicas, principalmente na categoria sucos. O mercado de sucos no Reino Unido representou US$ 3,7 bilhões[3] em vendas em 2020. O Brasil exporta ainda outras bebidas não alcoólicas como água minerais, refrigerantes, além de bebidas destiladas.

Como era de se esperar, durante a pandemia, as vendas de bebidas não alcóolicas no varejo aumentaram em comparação com as vendas em restaurantes e bares. O crescimento mais acentuado foi observado nos sucos concentrados, refrigerantes e água mineral com gás ou aromatizada.  

Apesar da crescente preocupação em relação ao alto teor de açúcar, o consumo do suco integral passou a ser visto como benéfico graças à concentração de vitaminas. As importações do Reino Unido de sucos somaram US$ 1,06 bilhão em 2020 e apresentaram um crescimento de 1,5% em relação a 2016. A maior parte das vendas brasileiras, 96,5%, concentram-se nos sucos de laranja, segmento no qual o país representa 22,5% das importações diretas do Reino Unido, e 80% do consumo britânico (a maior parte do suco brasileiro chega ao mercado britânico via União Europeia).

Já o setor de bebidas alcoólicas sofreu o maior impacto durante a pandemia, quando pubs, cafés e restaurantes foram fechados em março de 2020. Com as medidas de isolamento social, as vendas comerciais de cerveja, vinhos e destilados foram reduzidas, e, com a migração para o consumo doméstico, as vendas no varejo aumentaram. Recentemente, com a abertura da indústria de hospitalidade, as vendas comerciais começaram a registrar crescimento.

 

Alterações tarifárias

Com a efetivação de sua saída da União Europeia, em 31 de dezembro de 2020, o Reino Unido, como comentamos em anteriores números desta newsletter, adotou novo perfil tarifário. Algumas posições tarifárias apresentaram reduções na alíquota de importação e trazem oportunidades, na comparação com a tarifa externa comum da União Europeia.

As reduções tarifárias foram analisadas no detalhamento das subposições do Sistema Harmonizado de classificação tarifário (SH6) e nas classificações específicas em vigor no Reino Unido. Oportunidades oriundas de reduções tarifárias de bebidas serão apresentadas em i) bebidas não alcoólicas e ii) bebidas alcoólicas.

Bebidas não alcoólicas

Um total de quatro classificações tarifárias das subposições 2202.10 e 2202.99 tiveram as alíquotas de importação reduzidas de 9,60% para 8%. São os casos das águas aromatizadas ou adicionadas de açúcar (2202.10), e três classificações tarifárias da subposição genérica 2202.99 sem correlação na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Destas últimas, consideram-se as bebidas à base de soja, nozes ou outros cereais, e bebidas outras que não de leite, soja, nozes ou cereais dos capítulos 8, 10 ou 12 do sistema harmonizado[4]. 

Sucos

Um total de 68 classificações tarifárias de 14 subposições (SH6) apresentaram algum tipo de redução no novo perfil tarifário do Reino Unido. Destas, 7 classificações referem-se a sucos de laranja, produto no qual o Brasil é o maior fornecedor do mercado britânico. O suco de laranja não congelado e não fermentado (SH6 2009.19) passou por uma conversão de moedas e uma simplificação de alíquota. Para a classificação tarifária do produto com grau brix até 67 e adoçado, a tributação passou de 15,20% + € £20,60/ 100kg para 14% + 17/ 100Kg. Já os produtos com grau brix acima de 67 e não adoçado, operou-se simplificação de 33,60% + € 20,60/ 10kg para 30% + £ 17/ 100kg [5].

O suco de laranja congelado (SH6 2009.11) teve a alíquota de importação reduzida de 15,20% para 14%, quando com grau brix até 67 e valor até £25 por 100kg, e de 33,60% para 30%, quando com grau brix e valor acima desses limites [6].

Dos demais tipos de sucos, diversas classificações tarifárias com baixa concentração de açúcar (grau brix até 67) tiveram reduções médias de 1 ponto percentual com alíquota final entre 14% e 18%, e aqueles com grau brix superior a 67 tiveram alíquotas reduzidas de 33,60% para 30%. Nesses níveis tarifários, encontram-se sucos de limão e outros cítricos (SH6’s 2009.29, 2009.31 e 2009.39), de abacaxi (SH 2009.4), de toranjas (SH 2009.41.6), cranberry (SH6 2009.81), água de coco, sucos de açaí, acerola, manga e goiaba (SH6 2009.89), além de sucos mistos (SH6 2009.990).

Bebidas alcoólicas

Dentro das classificações de bebidas alcoólicas, algumas posições tarifárias de vermutes e vinhos de uva frescas tiveram plena liberalização, enquanto outras classificações de mostos de uva tiveram as tarifas simplificadas e reduzidas.

As subposições de vermutes e vinhos de uvas frescas, SH6 2205.10 (até 2 litros) e SH6 2205.09 (acima de 2 litros), tiveram as alíquotas de importação eliminadas já a partir de 2021. No sistema europeu, a subposição 2205.10 era incidida de uma alíquota específica de € 10,90 para cada 100 litros no caso de produtos com graduação alcoólica até 18%, o equivalente a € 0.98 para uma caixa com 12 garrafas de 750ml. Acima desse volume alcoólico, o cálculo feito é de € 0,90 sobre o percentual alcoólico + €6,40 a cada 100L. Ou seja, uma caixa com 12 garrafas, de 750ml, com 19% de volume alcoólico, recolheria um total de € 3,14. Já a SH6 2205.90 deveria recolher no sistema europeu € 9,00 para cada 100 litros do produto com até 18% de volume alcoólico (€ 0,81/caixa com 12 garrafas). Acima dessa graduação de álcool, se aplicava um cálculo de € 0,90 para cada 100L, equivalente a € 1,54/caixa com 12 garrafas, se considerada uma graduação de 19%.

Algumas classificações tarifárias [7] de mostos de uva de graduação alcoólica abaixo de 1%, SH6 2204.30, possuem, no sistema europeu, um sistema complexo de tributação sob preços de referência de acordo com o valor declarado na importação. Algumas dessas classificações tarifárias que seguem esse sistema podem ter um imposto de importação de até 160% ad valorem[8]. Já na tarifa britânica, as alíquotas foram reduzidas para 20%, quando a densidade do produto não excede 1,33g/cm³, e para 40%, quando acima dessa medida. Mostos de uva de graduação alcoólica acima de 1% tiveram a alíquota ad valorem reduzida de 32% para 30%.

 

Já exporta ou quer exportar?

Além dos serviços oferecidos pelo Setor Comercial da Embaixada do Brasil em Londres e pela Apex-Brasil, que conta com escritório em Bruxelas para atendimento aos mercados europeu e britânico, uma rodada de negócios virtual conectará empresas brasileiras com potenciais compradores do Reino Unido ao longo do segundo semestre de 2021. Trata-se de uma parceria entre Ministério das Relações Exteriores (MRE), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e Apex-Brasil.

Com inscrições abertas até o dia 18 de julho, estão convidadas a participar empresas do setor de bebidas, como vinhos, cervejas, cachaças, sucos, água de coco, refrigerantes, energéticos e outros. Empresas selecionadas poderão beneficiar-se de sessão de seminários e mentorias sobre o mercado, em preparação para a rodada de negócios e agendamento de reuniões.

Informações e contato:

SECOM Londres: secom.london@itamaraty.gov.br

Apex-Brasil: apexbrasil@apexbrasil.com.br

Rodada virtual: missaovirtualreinounido@apexbrasil.com.br

 

 

[1] Fonte: Euromonitor International: Market size (Beverages)

[2] Fonte: Trademap - ITC

[3] Fonte: Euromonitor International: Market size Juices

[4] 2202.99.11, 2202.99.15 e 2202.99.19, respectivamente

[5] 2009.19.91 e 2009.19.11, respectivamente

[6] 2009.11.99 e 2009.11.19, respectivamente

[7] 2204.30.98, 2204.30.96, 2204.30.94, 2204.30.92

[8] Posição tarifária 2204.30.98, com preço abaixo de € 39,10 / 100L, o cálculo da alíquota segue a fórmula 40% + €27/hl + € 20,6 /100 kg/net