Com US$ 6,702 bilhões, balança tem segundo maior superávit para o mês de abril
05 de Maio de 2020

Corrente de comércio chega a US$ 29,923 bilhões no mês; no ano já soma US$ 123,402 bilhões, com saldo positivo de US$ 12,264 bilhões

A balança comercial fechou o mês de abril com saldo positivo de US$ 6,702 bilhões, crescimento de 24,5% em relação a abril de 2019, pela média diária. Este foi o segundo maior saldo comercial da história para meses de abril, atrás somente de 2017, quando somou US$ 7 bilhões. A corrente de comércio no mês chegou a US$ 29,923 bilhões, com exportações somando US$ 18,312 bilhões e as importações, US$ 11,611 bilhões.

No ano, o saldo positivo acumulado é de US$ 12,264 bilhões e a corrente de comércio chega a US$ 123,402 bilhões, com exportações em US$ 67,833 bilhões e as importações, US$ 55,569 bilhões. Os dados preliminares de abril foram divulgados nesta segunda-feira (4/45) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, em Brasília. 

Veja os dados completos da balança comercial.

A exportação brasileira de abril apresentou média diária de US$ 915,6 milhões por dia útil, valor inferior apenas 0,3% à média de abril de 2019. A pequena queda do valor exportado foi proporcionada pelo recuo de 5,5% nos preços dos bens em relação ao mesmo mês do ano anterior. Por sua vez, o volume exportado, medido pelo índice de quantum, apresentou crescimento de 2,9% no mês.

O grande volume de exportação teve como destaque o recorde histórico mensal dos embarques de soja (16,3 milhões de toneladas), farelo de soja (1,7 milhão de toneladas), óleos combustíveis (1,3 milhão de toneladas), alumina (770 mil toneladas), minério de cobre (121 mil toneladas), carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (116 mil toneladas), algodão bruto (91 mil toneladas) e carne suína (63 mil toneladas).

Em relação ao valor exportado, houve recorde mensal em soja (US$ 5,5 bilhões), carne bovina (US$ 509 milhões), ouro (US$ 278 mi), minério de cobre (US$ 231 mi), alumina (US$ 228 mi), carne suína (US$ 154 mi) e algodão bruto (US$ 141 mi).

Competitividade

“O bom desempenho desses produtos evidencia a competitividade das exportações, favorecida por uma taxa de câmbio real mais desvalorizada. Além disso, a demanda mundial por esses bens mostra significativa resiliência, sobretudo a demanda asiática”, comentou o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz.

Neste sentido, as exportações brasileiras para a Ásia cresceram 28,7% em relação a abril de 2019. Para China, Hong Kong e Macau houve crescimento de 27,9%; para a Coreia do Sul, crescimento de 182%; para o Japão, incremento de 12,4%; e para os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), o aumento foi de 13,5%.

Já as importações brasileiras do mês de abril caíram 10,5% em valor, com diminuição de 7,9% no índice de preços e de 6,8% no índice de quantum. Caíram as importações de combustíveis (-28,3%), bens de consumo (-22,4%), bens de capital (-21,9%) e bens intermediários (2,3%).

A corrente de comércio do mês somou US$ 30 bilhões, com uma redução de 4,5% pela média diária, em relação a abril de 2020, principalmente influenciada pela redução das compras externas.

Quadrimestre

O volume exportado cresceu 1,1% no primeiro quadrimestre, pelo índice de quantum. No entanto, diante de uma queda de 2,6% nos preços comercializados, consequência do desaquecimento global, o valor exportado recuou em 3,7% ao longo do período, para US$ 67,8 bilhões.

“O crescimento do volume exportado pelo Brasil, de 1,1% no quadrimestre, destaca-se ao levarmos em conta que os efeitos da pandemia de Covid-19 influenciam negativamente os fluxos de bens ao redor do mundo. Com uma economia global em recessão e uma demanda mundial em forte declínio, a OMC prevê que o volume do comércio mundial caia, no mínimo, 13% em 2020”, lembrou Ferraz.

Em relação ao volume importado, também medido pelo índice de quantum, houve crescimento de 3,1% no quadrimestre, com recuo de 6,2% nos preços importados, resultando em uma queda do valor importado, no período, da ordem de 0,4%, para US$ 55,6 bilhões.

Em decorrência dos valores exportados e importados no quadrimestre, a corrente de comércio brasileira recuou 2,2%, alcançando US$ 123,4 bilhões no período. “Como referência, em uma estimativa conservadora, usando dados da OMC, a corrente de comércio mundial recuou 4% no quadrimestre, o que coloca o Brasil com desempenho bastante superior à média internacional”, ponderou o secretário.

Dada a menor queda dos valores importados diante dos valores exportados, o saldo comercial do Brasil recuou 16,4% em relação ao saldo dos primeiros quatro meses de 2019, atingindo US$ 12,3 bilhões no primeiro quadrimestre de 2020.

Contribuíram para o bom desempenho do quantum das exportações brasileiras, até o mês de abril, embarques recordes de soja (total de 34,2 milhões de toneladas no quadrimestre), petróleo bruto (23 milhões de toneladas), óleos combustíveis (6 milhões de toneladas), alumina (3 milhões de toneladas), algodão (710 mil toneladas), carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (470 mil toneladas) e carne suína (244 mil toneladas).

Também no quadrimestre, houve crescimento de exportação para a Ásia, de 15,5% em relação ao mesmo período de 2019. Para a China, Hong Kong e Macau as vendas cresceram 11,3%. Para a Coreia do Sul, o aumento foi de 47,6% e para os países da Asean houve incremento de 42,5%.

Com relação às importações, o menor valor de importação de combustíveis e lubrificantes – 14,7% inferior ao primeiro quadrimestre de 2019, especialmente por hulha betuminosa, não aglomerada e gás natural liquefeito, influenciou sobre o resultado do ano. A compra externa de bens de consumo diminuiu 8,1%, com destaque para a redução de 33,2% nas compras de automóveis de passageiros.

As importações de bens de capital, ao contrário, cresceram 15,5% este ano, sobretudo pelo aumento nas importações de outras máquinas de sondagem/perfuração. Os bens intermediários importados tiveram leve alta de 0,3%.

Previsões para 2020

Segundo Lucas Ferraz, os dados da balança sugerem que os contornos da crise mundial ficaram mais claros a partir de abril, com um recuo das importações mais acentuado do que o das exportações. A Secex aponta que os dados econômicos até abril permitem que se projete uma queda das exportações e importações brasileiras da ordem de 11,4% e 13,6%, respectivamente, em 2020. Com base nestas informações, o saldo comercial deverá permanecer elevado ao somar US$ 48 bilhões no ano, com uma pequena queda de 3% em relação ao resultado de 2019.

Considerando o desempenho da balança comercial no primeiro quadrimestre de 2020, com queda realizada de 3,7% e 0,4% para as exportações e importações, respectivamente, nota-se que as estimativas sugerem um recuo adicional para a corrente de comércio do país, sobretudo do lado das importações, resultado em um saldo comercial ligeiramente mais baixo que o realizado em 2019.

A previsão considera variáveis como importações mundiais, taxa de câmbio real, atividade econômica brasileira, medida pelo IBC-Br, produção industrial e o comportamento do próprio comercio exterior brasileiro. “Assim, os dados considerados refletem os efeitos da pandemia até o momento. Futuras revisões das projeções irão incorporar novas informações disponíveis, com efeitos potenciais sobre as exportações e importações do país”, explicou o secretário.

Ministério da Economia