Balança comercial tem superávit recorde de US$ 6,6 bilhões em agosto
01 de Setembro de 2020

Produtos agropecuários e vendas para Ásia se destacam nas exportações, enquanto as importações alcançam estabilidade após queda no primeiro semestre

 

O Brasil obteve saldo comercial de US$ 6,6 bilhões no mês de agosto, um aumento de 68,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. Foi o melhor superávit para o mês de agosto de toda a série histórica, iniciada em 1989, superando o recorde anterior, de US$ 5,6 bilhões, em agosto de 2017. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (1º/9) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia ((Secex/ME).

Veja os dados completos da Balança Comercial em agosto 

No mês passado, as exportações chegaram a US$ 17,7 bilhões, com recuo de 5,5% em relação a agosto de 2019, quando atingiram US$ 19,7 bilhões. Assim como em julho de 2020, o recuo ocorreu devido à queda dos preços dos bens exportados, que em agosto foi de 11,4%. Já o Índice de Quantum teve aumento de 3,4%.

As importações ficaram em US$ 11,1 bilhões, com redução de 25,1% em relação aos US$ 15,6 bilhões de agosto de 2019. “Embora a queda de importação seja significativa, podemos observar uma taxa de redução menor. No mês anterior, as importações haviam caído 35%”, comentou o subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior da Secex, Herlon Brandão, durante coletiva à imprensa.

Na comparação com julho, a média diária das importações teve leve aumento em agosto, de US$ 500 milhões para US$ 530 milhões.

Esses resultados de exportações e importações levaram a uma contração de 14,2% da corrente de comércio no mês, com total de US$ 28,9 bilhões contra US$ 35,2 bilhões em agosto do ano passado.

A redução das exportações no mês foi influenciada principalmente pelo recuo das vendas para América do Sul (-24,4%), América do Norte (-21,2%) e Europa (-11,1%). A Ásia, por sua vez, continua sendo o destaque positivo, com crescimento de 8,7%. Já na origem das importações, houve quedas das compras de América do Norte (-45%), América do Sul (-24%), Europa (-22,7%) e Ásia (-15,9%).

Setores

Os produtos agropecuários continuam como destaque positivo nas exportações, apresentando aumento de 14,6%. “Isso explica também o aumento para a Ásia, que é o principal destino desses bens”, destacou Brandão.

Na indústria extrativa, houve queda de 15,4% nas vendas externas e, na indústria de transformação, de 7,7%. “Tudo isso motivado pela redução das cotações internacionais dos produtos”, explicou. As quantidades exportadas em agosto de 2020, contra agosto de 2019, crescem em todas as categorias. O maior aumento foi no setor agropecuário (+12,9%).

Na importação, a queda foi puxada principalmente pela indústria de transformação (-23,8%), que responde por 94% das compras do país no exterior. O recuo, nesse caso, foi motivado por quedas tanto de preços quanto de quantidades. “A demanda brasileira por bens importados está em queda, por conta da baixa atividade econômica”, disse o subsecretário.

Estabilidade

Na média diária, o Brasil registrou um comportamento estável das exportações. Ao contrário do que vem acontecendo com o comércio mundial, que diminuiu 11% ao longo do primeiro semestre do ano, o volume das exportações brasileiras cresceu nos primeiros oito meses do ano. Mesmo em valor, há um comportamento estável. “Um pouco abaixo de 2019, mas sem grandes oscilações”, ponderou.

Nas importações, porém, a tendência foi de queda no primeiro semestre, até junho, com estabilidade em julho e agosto, pela média diária. Segundo Brandão, isso está em linha com a queda da demanda brasileira e mundial.

Acumulado do ano

No acumulado do ano, o superávit comercial atingiu US$ 36,6 bilhões, alta de 14,4% em relação aos US$ 32,2 bilhões do saldo até agosto de 2019. Nos oito meses, houve aumento do volume exportado (+3,8%) e queda dos preços (-8,6%). Na média diária, o valor exportado recuou 6,6% no ano. Na importação, a queda foi de 12,3% de janeiro a agosto, com recuos tanto no volume (-9,5%) quanto nos preços (-7,1%).

As exportações atingiram US$ 138,6 bilhões, contra US$ 149,3 bilhões do mesmo período de 2019. As importações ficaram em US$ 102 bilhões, diminuindo em relação aos US$ 117,1 bilhões até agosto do ano passado. Com isso, a corrente de comércio ficou em US$ 240,7 bilhões, 9,1% abaixo dos US$ 266,4 bilhões de janeiro a agosto de 2019.

Recorde na soja

No ano, o setor agropecuário também é destaque, com alta de 18,9% nas exportações, mas as indústrias de transformação (-14,2%) e extrativa (-8,6%) puxam o resultado para baixo, levando a um recuo médio de 6,6%. “Temos um recorde 76 milhões de toneladas de soja exportadas durante os primeiros oito meses do ano. Isso soma US$ 26 bilhões de exportação de soja nesse período”, pontuou Brandão.

Já nas importações, no acumulado até agosto, os três setores registraram queda – de US$ 0,93 milhões (-5,5%) em agropecuária; de US$ 17,75 milhões (-38,6%) em indústria extrativa; e de US$ 66,56 milhões (-10,5%) em produtos da indústria de transformação.

Previsão

A Secex deve divulgar a nova previsão da balança comercial do ano ao final deste trimestre, junto com os dados da balança de setembro.

Segundo Brandão, as previsões divulgadas no final do primeiro semestre foram influenciadas pelo cenário de pandemia e pela expectativa de queda no comércio mundial. A estimativa era de saldo comercial de US$ 55,4 bilhões em 2020, um aumento de 15,2% em relação a 2019.

No entanto, a queda nos oito meses foi menor do que a projetada. “Temos notado um comportamento da exportação muito robusto, com esses volumes crescendo e batendo recordes. Nos preços, apesar da queda, há uma sustentabilidade no patamar. Faltam quatro meses para fechar o ano e esses quatro meses vão pesar menos no total de 2020. Então, é possível que as quedas, tanto de importação quanto de exportação sejam menores do que estamos projetando”, antecipou.

 

Ministério da Economia