Acordo Mercosul-UE inaugura novo modelo de inserção econômica internacional do Brasil, segundo Troyjo
01 de Julho de 2019

"Estamos fazendo um negócio que envolve 25% do PIB global. É uma grande mudança de paradigma", destacou o secretário especial em coletiva à imprensa

O secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, falou nesta segunda-feira (1º/7), em Brasília, sobre a importância do acordo Mercosul-EU, assinado na última sexta-feira (28/6), em Bruxelas (Bélgica).

 "Estamos super contentes com o resultado. É uma grande vitória para o Brasil e significa uma ferramenta modernizadora da economia de todo o Mercosul. Inauguramos um novo modelo de desenvolvimento econômico e inserção internacional", declarou Troyjo.

 Segundo ele, do ponto de vista da economia política, o acordo representa uma verdadeira mudança de modelo, pois permite ao Brasil e a países do Mercosul abandonar uma visão calcada nos "velhos cânones da substituição de importações" e partir para uma inserção econômica internacional mais efetiva.

 "Estamos fazendo um negócio que envolve 25% do Produto Interno Bruto global. É uma grande mudança de paradigma (...). Não há país que tenha ficado rico nos últimos 70 anos sem uma mola de propulsão muito vibrante no comércio exterior", afirmou. O secretário explicou também, que,  por vezes, cenários internacionais levam a mais protecionismo, mas o comércio internacional prevalece e promove o crescimento sustentável.

 Na atual conjuntura mundial de disputas comerciais, o que tornou possível a assinatura do acordo, segundo Troyjo, foi exatamente buscar saídas para o ambiente internacional de maior protecionismo. "Percebemos essa predisposição nos negociadores europeus", disse o secretário.

 Da parte do Brasil, segundo ele, também há uma “sintonia feliz” da política econômica com a política comercial, que influenciou a tomada de decisão a favor de uma maior inserção internacional do país. "Com a consolidação do Ministério da Economia, a política comercial foi para o centro da política econômica. Nós temos, na equipe econômica, mais ou menos os mesmos diagnósticos e os mesmos prognósticos. O que nos permitiu trabalhar numa sintonia muito fina com as outras partes relevantes desse acordo", lembrou, citando que as diferentes partes do governo federal trabalharam juntas para o fechamento do acordo.

Troyjo classificou a conclusão exitosa do processo negociador, que já durava duas décadas, como o maior acordo comercial da história entre regiões. Segundo ele, este também pode ser considerado o maior acordo em número de sócios – os países da UE e do Mercosul –, e por cobertura geográfica. Lembrou, ainda, que o acordo não trata apenas de tarifas e cotas, pois inclui vários assuntos relacionados à economia do século XXI, como o desenvolvimento sustentável, atração de investimentos e harmonização de padrões.

Também participaram da entrevista coletiva, o secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz, e o subsecretário de Negociações Internacionais do Ministério da Economia, Alexandre Lobo.  

Ministério da Economia